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Geografia do voto dificulta vida de Gean e Dário para 2022

Único estado do país onde a cidade mais populosa não é capital, Santa Catarina sente reflexos dessa condição diferenciada também na hora de definir seus governadores. É bem verdade que Florianópolis já elegeu governadores, mas não se trata de uma tradição.
Em 1982, logo na volta da eleição direta para a escolha dos mandatários estaduais, Esperidião Amin, manezinho da gema, foi o escolhido. Voltou ao cargo em 1998. Angela Amin, embora não tenha nascido na Capital poderia ser considerada como representante de Florianópolis neste seleto grupo, bateu na trave em 1994, quando perdeu por 40 mil votos para Paulo Afonso Vieira.
Ou seja, desde a redemocratização, Amin foi o único a quebrar essa barreira. Para quem não sabe, o interior catarinense tem uma bronca histórica em relação à Capital. Grosso modo, os trabalhadores, empreendedores, profissionais liberais, enfim, acreditam que trabalham e pagam impostos para sustentar uma casta de servidores públicos que viveria numa espécie de ilha da fantasia (não é esta a opinião do colunista, apenas a constatação de um sentimento reinante no território Barriga-Verde).

Tempestade perfeita
Neste contexto, mesmo que venha a conquistar a reeleição e sonhar com a disputa pelo governo estadual, o prefeito Gean Loureiro vai precisar de muito trabalho, carisma, dedicação, sorte e recursos para repetir Esperidião Amin (antes de ser governador, ele foi prefeito de Florianópolis).

Reação
Nesta semana que se encerra, a coluna e o Blog do Prisco publicaram, com exclusividade, que Amin e outro senador por SC, Jorginho Mello, podem acertar os ponteiros numa chapa PP-PL visando a derrotar Gean. Como os dois têm perspectivas estaduais em 2022, seria uma forma de neutralizar na raiz uma possível ameaça aos seus projetos.

Rosa dos ventos
Vilson Kleinübing também chegou ao posto máximo em Santa Catarina. Morava na Capital, mas era natural de Videira e elegeu-se prefeito de Blumenau. Pedro Ivo Campos era de Joinville, assim como Luiz Henrique da Silveira. Paulo Afonso Vieira também se estabeleceu em Florianópolis. Mas politicamente, sua base era em Canoinhas. Além de ter nascido no Piauí.

Serra abaixo
Raimundo Colombo sempre foi ligado a Lages e à Serra catarinense. E o atual inquilino da Casa d’Agronômica, Carlos Moisés, não pode ser colocado nesta conta. Ele é natural da ilha, mas fez a carreira e a vida familiar em Tubarão.

Má vontade
Trocando em miúdos: salvo raras exceções, qualquer candidato a governador que parta de Florianópolis, será visto estado afora como do “partido da ilha”. Isso ficou escancarado em 2002. Naqueles idos, Luiz Henrique da Silveira colocou a decisiva vantagem de 100 mil votos sobre Esperidião Amin em Joinville. Cidade onde o progressista sempre foi muito bem votado! De lá pra cá, tivemos dois governos com representantes joinvilense, dois com o DNA da Serra e agora o chefe do Executivo partiu do Sul.

Só um milagre
Significa que dificilmente Santa Catarina elegerá, nos próximos pleitos, um candidato da Grande Florianópolis. O único com alguma chance é o próprio Esperidião Amin, que já tem o nome estadualizado. Que se vier, entrará na quinta disputa pelo comando do Estado. Ganhou duas e perdeu duas. Seria o tira-teima para ele.

Sem história
Quanto aos demais, podem ir tirando o cavalinho da chuva. Além de Gean, há o nome de Dário Berger. Por tudo isso que elencamos, ele é carta fora do baralho. Ainda mais se considerarmos que não será indicado pelo MDB para a cabeça de chapa. Vale lembrar que o Manda Brasa é o sétimo partido de Berger, que por onde passou jamais cultivou qualquer vida ou laço partidário.

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