Resultados de unidades em Blumenau e São Bento do Sul serão apresentados no 12º Encontro do Administrador Hospitalar, em Florianópolis
Hospitais filantrópicos de Santa Catarina reduziram o tempo médio de internação de 6,6 para 3,2 dias em 12 meses, liberando mais de 1.800 diárias hospitalares e ampliando em cerca de 30% a capacidade de atendimento sem expansão da estrutura física. O tempo médio de permanência no pronto-socorro também caiu, passando de cerca de 250 para 120 minutos. Os resultados refletem a transformação digital que remodela a gestão hospitalar no estado, com soluções tecnológicas que integram informações, agilizam processos e apoiam decisões estratégicas nas instituições.
No Hospital Santo Antônio, em Blumenau, onde aproximadamente 95% dos atendimentos são destinados ao SUS, a transformação digital passou a integrar o planejamento estratégico da instituição, resposta ao desafio de atender um número crescente de pacientes sem ampliar a estrutura física na mesma proporção.
Segundo o gerente-geral do hospital, Rafael Branco Bertuol, a implantação de um Command Center, centro de inteligência que reúne em tempo real indicadores como ocupação de leitos, fluxo do pronto-socorro, tempo de permanência dos pacientes e satisfação dos usuários, permitiu que a gestão deixasse de atuar de forma reativa para antecipar problemas e tomar decisões baseadas em dados. “Mais do que implantar tecnologia, passamos a utilizar informações em tempo real para melhorar a gestão e o cuidado ao paciente. A tecnologia só faz sentido quando contribui para gerar melhores desfechos assistenciais e maior eficiência operacional”, afirma Bertuol.
Esses e outros exemplos serão apresentados durante o painel “Hospital Digital: Cases de Transformação”, um dos destaques da programação do 12º Encontro do Administrador Hospitalar (EAH), promovido pela Associação de Hospitais do Estado de Santa Catarina (AHESC) e pela Federação de Hospitais e Entidades Filantrópicas de Santa Catarina (FHESC). O evento ocorre nos dias 16 e 17 de julho, no Centrosul, em Florianópolis, reunindo gestores hospitalares, administradores, profissionais da saúde, especialistas e lideranças para discutir os principais desafios e tendências da gestão hospitalar.
Para o diretor administrativo e financeiro da instituição, Fernando Nardino, o maior desafio da transformação digital está na mudança de cultura dentro das organizações, não na tecnologia em si. “A transformação digital não começa pela tecnologia, mas pelas pessoas e pelos processos. Foi preciso envolver as equipes, revisar fluxos de trabalho e demonstrar que a inovação representa uma nova forma de atuar, baseada em integração, informação e melhoria contínua”, diz.
Os investimentos trouxeram impactos também para a gestão financeira. O tempo médio de faturamento dos convênios caiu de aproximadamente 21 dias para menos de dois dias. Nos atendimentos pelo SUS, processos que antes levavam cerca de 90 dias passaram a ser concluídos em menos de dez dias. A digitalização também ampliou a rastreabilidade de medicamentos, aumentou a segurança do paciente e permitiu que 100% dos prontuários passassem a ser auditados por farmacêuticos clínicos.
Os casos de Blumenau e São Bento do Sul mostram como a gestão hospitalar filantrópica em Santa Catarina tem investido em tecnologia para qualificar o atendimento ao SUS e sustentar a rede de serviços no estado.







