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Indústria puxa retomada em 2020, mas reformas e controle fiscal condicionam crescimento em 2021

Em conversa com os jornalistas, nesta quarta-feira (9), o presidente da FIESC destacou que a indústria do estado encerra o ano com desempenho superior à média nacional, registra alta no emprego, na confiança e na intenção de investir, mas manutenção do ritmo de retomada em 2021 depende de uma série de condicionantesPresidente da FIESC, Mario Cezar de Aguiar, durante apresentação dos indicadores econômicos (foto: Filipe Scotti)

A indústria de Santa Catarina puxou a retomada da economia em 2020, principalmente a partir de agosto, e tem registrado desempenho superior à média brasileira em muitos indicadores, destacou o presidente da Federação das Indústrias (FIESC), Mario Cezar de Aguiar. Ele conversou com jornalistas, nesta quarta-feira, dia 9, e salientou que a indústria catarinense liderou a retomada do emprego. As vagas fechadas de março a maio foram recuperadas no período de junho a outubro e no acumulado do ano até outubro o setor de transformação e a construção civil registram saldo positivo de 33,6 mil vagas. “A resiliência do industrial catarinense e as medidas governamentais permitiram uma recuperação muito mais rápida do que se esperava no início da pandemia”, afirmou Aguiar.

Ele ressaltou que a recuperação ocorre em diferentes velocidades entre os setores, mas, no geral, a indústria apresenta taxas de crescimento maiores do que as demais atividades. “Um conjunto de fatores explica esse comportamento, como a adaptação aos protocolos de segurança, rápida retomada da atividade industrial e o auxílio de medidas do governo federal, como a MP 936, que teve grande aderência por parte da indústria catarinense, que firmou 363 mil acordos. Esse número corresponde a 43,5% do total de acordos do estado”, explica.

Dados do Observatório FIESC mostram o elevado nível de confiança do industrial catarinense que alcançou 66,5 pontos em novembro (a média do país foi 62,9 pontos) e a maior intenção de investir da série histórica, com 74 pontos em setembro, contra 59,3 pontos da média nacional. “A rápida retomada do consumo e da economia como um todo surpreenderam o industrial que precisou fazer rápidos ajustes para a retomada da produção. O efeito dessa recuperação repercutiu no maior índice de intenção de investir de toda a série histórica da pesquisa para Santa Catarina”, observa Aguiar, lembrando que, por outro lado, a surpreendente retomada desorganizou cadeias produtivas e trouxe desafios como falta de matérias-primas e pressão nos preços.

O faturamento é outro indicador que apresenta setores com recuperação, como é o caso de alimentos e bebidas que cresceu (23,4%) de janeiro a outubro na comparação com o acumulado de 2019, conforme dados da Secretaria da Fazenda. No mesmo período, outras atividades registraram expansão, como equipamentos elétricos (17,8%), madeira e móveis (7,3%), celulose e papel (7,9%) e fármacos e equipamentos de saúde (33,6%). “A análise mostra que, como consequência das medidas de isolamento social, o padrão de consumo da população brasileira mudou. Aumentaram as compras de alimentos e bebidas e isso se refletiu nas vendas deste setor, que registrou o melhor desempenho entre os avaliados. Com a população passando mais tempo em suas casas, também cresceu o mercado de itens como eletrodomésticos e móveis e madeira”, disse o presidente da FIESC.

O comércio exterior catarinense tende a fechar o ano negativo. De janeiro a novembro, as exportações registram queda de 9,4% e as importações diminuíram 9,1% em comparação com o mesmo período no ano passado. A alta do dólar, a crise do coronavírus no mundo e as distorções nos preços ocasionados pelo descompasso entre demanda e oferta de diferentes setores foram as principais causas para o resultado. Ainda assim, observa-se certa constância nos setores exportadores tradicionais, com expansão das vendas externas de suínos e madeira e móveis.

“Apesar de a indústria caminhar para a recuperação das perdas por conta da pandemia, há desafios no horizonte que exigem cautela para manter o nível de crescimento em 2021, como o controle do endividamento público, o reequilíbrio do fornecimento de insumos, as reformas estruturantes, o fim do auxílio emergencial e a demora para a chegada da vacina”, observa Aguiar.

::::: Pontos de atenção que vão influenciar no crescimento em 2021:

Fim do auxílio emergencial: não está claro qual será o impacto do fim do auxílio emergencial no consumo e se a economia terá condições de manter a taxa de crescimento sem ele. Por isso, os fatores listados abaixo serão fundamentais:

Controle de endividamento público: o controle dos gastos públicos é uma condição importante para manutenção do fator de risco de investimento no Brasil, refletindo na manutenção da baixa taxa de juros.

Manutenção da baixa taxa de juros: uma baixa taxa de juros é condição necessária para um melhor acesso à crédito e estímulo de investimentos.

Reformas estruturantes: O avanço das reformas é condição fundamental para diminuir o grau de incerteza sobre a economia brasileira e iniciar uma trajetória de crescimento econômico mais sustentável.

Reequilíbrio do fornecimento de insumos: o reequilíbrio de fornecimento de insumos terá impacto nos preços, levando os valores para um nível normal de mercado e eliminando a falta de insumos em diferentes cadeias produtivas.

Demora para chegada da vacina: A chegada da vacina contra o coronavírus vai ser condição essencial para uma melhora da economia. Um dos importantes desafios está em construir uma estrutura de distribuição dela para a população.

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