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Coluna do dia

Inimigos no governo

No dia 9 de janeiro, o deputado estadual Valmir Comin (PP) vai assumir oficialmente a Secretaria de Estado de Assistência Social. Sua posse marcará o retorno da legenda ao governo depois de 14 longos anos (desde 2003, quando Luiz Henrique assumiu). Os detalhes foram acertados esta semana entre Raimundo Colombo e o futuro secretário. Maravilha.

Mas a ascensão de Comin traz outras implicações no contexto da política Barriga-Verde. Significará que o PP e o PMDB – inimigos desde sempre no Estado (desde Arena x MDB) – vão compor a mesma gestão.

A pergunta é inevitável: como vai ser essa convivência? A rivalidade extrema, que vira ódio não raras vezes, é encarnada justamente por duas das principais lideranças das siglas. O deputado federal Esperidião Amin, ex-governador e ex-senador, pelo PP; e Eduardo Pinho Moreira, vice-governador em terceiro mandato e ex-governador de mandato-tampão, pelo PMDB.

A extrema inimizade entre os dois remonta à eleição estadual de 1994, quando Paulo Afonso Vieira (PMDB) derrotou Angela Amin (PP) por 40 mil votos no segundo turno.

No primeiro, a ex-prefeita da Capital abriu vantagem de 260 mil sufrágios. Em três semanas, houve uma virada de 300 mil votos naquele pleito.

 

Pivô

Um dos motivos da histórica vitória de Paulo Afonso em 1994 foi uma declaração pra lá de equivocada de Esperidião Amin. Ele chamou o então candidato a vice, José Augusto Hülse, ex-prefeito de Criciúma, indicado por Eduardo Moreira, de “ladrão ou burro.” A declaração pegou muito mal no Sul.

 

Votação decisiva

No segundo round, os criciumenses votaram em massa na chapa Paulo Afonso/Hulse, na proporção de 64% a 32%. Ou seja, de cada dois eleitores que votavam no PMDB, um escolheu Angela. O movimento em Criciúma foi decisivo para a vitória peemedebista.

 

Não se suportam

Oito anos depois, Esperidião Amin tentava a reeleição. Acabou derrotado, também no segundo turno, pela chapa Luiz Henrique/Eduardo Moreira. Durante o ato de transmissão do cargo, o ex-governador aproximou-se rapidamente dos jornalistas quando percebeu a entrada do vice eleito e de sua falecida esposa, Ivana Fretta Moreira. Conversando com a imprensa, Amin sequer cumprimentou o desafeto. Durante seu discurso, o progressista fez menções somente a LHS. Até hoje, ele e Moreira sequer se cumprimentam!

 

Mistério

Ainda sobre o vice-governador, Eduardo Moreira. Ele passou os últimos dias disparando pesado na direção de outro desafeto, Gelson Merísio, ainda presidente da Alesc. Faz parte do jogo. É muito estranho, contudo, o fato de que Moreira está falando em nome do PMDB, apesar de há tempos ter deixado a presidência da legenda. O atual comandante do Manda Brasa, deputado federal Mauro Mariani, anda mais quieto do que canário na muda. Esquisito, pra dizer o mínimo.

 

Força

Aliás, Mauro Mariani não indicou ninguém para o primeiro escalão do governo Raimundo Colombo. Já o vice-governador emplacou três nomes. Dois, Acélio Casagrande (Articulação Nacional) e Luiz Fernando Vampiro (Infraestrutura), são do Sul, base política de Eduardo Moreira. Já Milton Martini (Administração) é ligado a Paulo Afonso Vieira. Foi uma jogada do vice para eventualmente ter ao seu lado o ex-governador no caso de disputa interna para escolha do candidato a cabeça de chapa em 2018.

 

Derrapada

Tudo indica que Eduardo Moreira assumirá o governo do Estado a partir de abril de 2018. Neste período, salvo uma mudança radical no quadro político, Michel Temer, peemedebista como o vice de SC, estará na presidência da República. Isso quer dizer que o rompimento, via imprensa, de Eduardo Moreira com o presidente, é equivocado inclusive do ponto de vista administrativo. Pode comprometer os interesses estaduais junto à União.

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