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Coluna do dia

JKB sinaliza voto no MDB e dispara contra Merisio

Extremamente reveladora, surpreendente, bombástica e polêmica. Eis os quatro adjetivos para resumir a entrevista que o ex-governador, ex-senador e ex-ministro Jorge Konder Bornhausen concedeu ao competente colega Marcos Schettini, que vem fazendo um belo trabalho na crônica política estadual.

Ao final da conversa com o jornalista, além de atirar na direção de Gelson Merisio, candidato do PSD ao governo, JKB sinaliza, claramente, que seu voto ao governao deve ser para Mauro Mariani, do MDB.

A coluna permite-se tal conclusão a partir de duas declarações de Bornhausen. A de que já votou em Luiz Henrique da Silveira, afirmando que não teria dificuldade em votar novamente no MDB, e à menção elogiosa a Napoleão Bernardes, candidato a vice-governador  na chapa do emedebista.

 

Atravessado na garganta

A hostilidade em relação a Merisio se deve a uma conversa entre os dois, quando o candidato pessedista ainda era presidente da Assembleia Legislativa. Na oportunidade, Merisio foi bastante duro com JKB, que até hoje não digeriu a postura do interlocutor. A rixa é gigantesca. Tanto que o filho Paulo Bornhausen, filho de Jorge, está fechado com Merisio há dois anos.

 

Apostas

Mesmo assim, JKB tentou de tudo para tirar o desafeto Merisio da jogada. Primeiro apostou todas as fichas para emplacar Paulo Bauer de candidato ao governo numa chapa com PP e PSD. Depois, concentrou energia na direção de Esperidião Amin, mas os dois acabaram mesmo como postulantes ao Senado. Em composições adversárias.

 

Obviedade

E porque o blog aponta que JKB votará em Mariani para o governo? Por óbvio do que ficou escancarado nas declarações dele. Em Merisio ele não votará. Muito menos no PT de Décio Lima. Sobra Mauro Mariani, do MDB, mesmo partido de LHS.

 

Calendário

Jorge Bornhausen deixou claro que votou no falecido líder para governador em 2006, ano da reeleição do joinvilense. Em 2002, Paulo Bornhausen foi um dos candidatos ao Senado na chapa de Esperidião Amin, em quem, obviamente, JKB votou. Quatro anos depois, ele já estava com LHS.

 

Herança

Outra pista consistente para este contexto. O ex-governador não fez uma menção sequer a João Paulo Kleinübing, vice de Merisio. Sinal inequívoco de que as diferenças entre Bornhausen e o pai de JPK, o também ex-governador e falecido Vilson Kleinübing, foram transferidas para o filho.

 

Afilhados

Aliás, Esperidião Amin também não terá o voto de JKB neste ano. Os dois senadores escolhidos por ele são seus ex-pupilos Raimundo Colombo e Paulo Bauer. Jorge Bornhausen está se valendo do posicionamento deles em relação às reformas para recompor, definitivamente, a proximidade com Colombo. Amin tem se declarado contrário às reformas que agradam Bornhausen.

 

Reaproximação

Os dois se afastaram em 2014, quando o MDB impôs a candidatura de Dário Berger contra Paulo Bornhausen, que acabou ficando pelo caminho. À época candidato à reeleição como governador, Colombo ajudou a eleger Dário. No ano seguinte, depois da morte de LHS, JKB e Colombo começaram a reaproximação.

 

Estadual e federal

Jorge Konder Bornhausen abriu voto para Júlio Garcia a deputado estadual e  a Murilo Flores, que foi candidato a prefeito de Florianópolis, em 2016, pelo PSB, partido pilotado em Santa Catarina por Paulo Bornhausen. Vale lembrar, ainda, que JKB e o pai de Murilo, o almirante da reserva Mário César Flores, são amigos pessoais e contemporâneos de juventude em Itajaí.

 

Difícil mensurar

No frigir dos ovos, a bombástica entrevista de Jorge Bornhausen pode ter pouco poder de influência junto ao eleitorado. O ex-governador está afastado há um bom tempo do dia a dia da política. Ainda tem força nas articulações nacionais, mas em Santa Catarina, apesar de todos os seus esforços, Gelson Merisio acabou prevalecendo.

 

História

De qualquer forma, as declarações têm relevância por se tratar de Jorge Bornhausen, ex-governador, ex-senador, ex-ministro e ex-presidente nacional do antigo PFL. Trata-se  de alguém que esteve na proa da política estadual e da nacional por décadas.

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