Blog do Prisco
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Lobista acusa Lula de “mentiroso” e “mau-caráter” a uma semana das eleições

Lula chega ao debate da Bandeirantes com mais uma crise batendo à porta. Depois da reportagem de Veja com acusações atribuídas a Daniel Vorcaro, agora é Roberta Luchsinger quem confronta a versão presidencial, expõe supostos encontros de Lulinha com ministros e anuncia disposição para fazer delação premiada.

A entrevista à CNN Brasil, divulgada neste sábado (17), caiu na véspera do confronto com Flávio Bolsonaro e a uma semana do segundo turno. O presidente chamou a empresária de “pilantra”. Ela respondeu que não será o “boi de piranha”.

A tentativa de afastar o problema com um insulto produziu outra crise. E colocou novamente em evidência uma cobrança que o petismo detesta quando chega ao próprio quintal: transparência.

A versão presidencial sob ataque

Luchsinger afirmou à CNN Brasil ter presenciado diversas vezes encontros de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, com ministros. Segundo ela, o filho do presidente também visitou a casa de Camilo Santana, no Ceará.

Ao contestar a versão de Lula sobre esses contatos, chamou o presidente de mentiroso. Disse, entretanto, que decisões judiciais a impedem de detalhar as circunstâncias.

“O filho dele sentava semanalmente com ministros, seja para trocar figurinhas, seja para trocar qualquer outro tipo de diálogo”, declarou.

Encontrar ministros não é crime. Mas, diante de investigações por suspeita de tráfico de influência, esclarecer a finalidade desses encontros é o mínimo. O sobrenome presidencial não pode funcionar como salvo-conduto contra perguntas.

O insulto saiu caro

Lula tentou desqualificar Luchsinger. A reação mostrou que ela não pretende aceitar esse papel em silêncio.

A empresária acusou o presidente de agir com covardia e alegou que a máquina pública estaria sendo movimentada contra ela. Relatou bloqueio de bens e tentativas de silenciamento. São acusações que precisam ser demonstradas, mas que não serão esclarecidas com uma nova rodada de adjetivos.

Quem ocupa a Presidência tem obrigação de responder com fatos. Ataque pessoal não é prestação de contas.

“Não serei eu o boi de piranha”

O trecho mais explosivo da entrevista à CNN Brasil foi o anúncio de que pretende fazer delação premiada.

“Eu nunca me opus em falar nada. Inclusive, vou fazer uma delação premiada porque não serei eu o ‘boi de piranha’”, afirmou.

Ainda não se trata de um acordo firmado nem de acusações comprovadas. Mas o significado político é evidente: uma pessoa próxima ao filho do presidente sinaliza que está disposta a falar e que não aceitará carregar sozinha o peso dos episódios investigados.

Para um governo em plena disputa pela reeleição, é uma ameaça de desgaste que discurso de palanque nenhum consegue apagar.

O entorno exige explicações

Luchsinger e Lulinha são investigados por suspeitas de tráfico de influência envolvendo órgãos federais. Na entrevista, ela também cobrou que Lula questione o próprio filho sobre suas relações.

O presidente exige confiança do eleitor. Essa confiança pressupõe esclarecimento, inclusive quando as perguntas atingem a família e os conhecidos do poder.

O combate à corrupção não pode ser bandeira contra adversários e inconveniência quando a investigação se aproxima de casa.

As negativas precisam ser confrontadas

Camilo Santana negou encontros com Lulinha para tratar de assuntos de governo. O Ministério da Educação informou que não houve tratativas da pasta com Roberta ou com o filho do presidente. O Ministério das Comunicações também negou intermediação dos dois para acesso à agenda presidencial.

As negativas devem ser registradas e confrontadas com os elementos da investigação. É assim que se esclarece o caso: com documentos, registros e depoimentos. A palavra de uma investigada exige comprovação. A palavra de uma autoridade também não está acima de verificação.

A culpa é do calendário?

Em nota enviada ao UOL, o Planalto afirmou que Lula desconhece os fatos, nunca manteve interlocução com Luchsinger nem recebeu demandas dela. Também declarou que não há contratos federais com a empresária e questionou o momento eleitoral da divulgação.

Fonte da entrevista: CNN Brasil. Resposta da Presidência: nota enviada ao UOL.