Chamado pela direção nacional, ex-vereador de Tubarão e ex-secretário assume a missão de fortalecer a nominata estadual e organizar o palanque de Augusto Cury no Estado
Lucas Esmeraldino está novamente no centro do tabuleiro político catarinense. Depois de um período longe das urnas, ele aceitou o chamado do Avante e entrou na disputa por uma cadeira na Assembleia Legislativa de Santa Catarina.
Não se trata de uma filiação meramente protocolar nem da inclusão de um nome qualquer na nominata. Esmeraldino chega ao partido com uma missão objetiva: organizar a legenda, ampliar sua presença nos municípios, fortalecer a chapa proporcional e coordenar em Santa Catarina a campanha presidencial de Augusto Cury.
O convite partiu da cúpula nacional do Avante, comandada pelo deputado federal Luís Tibé, presidente nacional da sigla. Em Santa Catarina, a legenda é presidida por Terezinha Ricardo do Nascimento. Todo o envolvimento de Esmeraldino ocorre em fina sintonia tanto com Tibé quanto com Terezinha.
A movimentação ocorre justamente quando Augusto Cury começa a ocupar um espaço relevante na eleição presidencial. Apresentando-se como alternativa à polarização, o escritor e psiquiatra chegou ao terceiro lugar em pesquisas recentes, alcançando até 11% das intenções de voto em um dos levantamentos divulgados no fim de agosto.
Nesse cenário, contar com Lucas Esmeraldino em Santa Catarina é uma escolha lógica. Poucas lideranças conhecem tão bem quanto ele os caminhos para estruturar uma legenda, montar nominatas e transformar uma candidatura inicialmente desacreditada em um projeto eleitoral competitivo.
O homem que montou o PSL de 2018
É necessário recuperar a história para compreender a dimensão dessa escolha.
Em 2018, foi Lucas Esmeraldino quem assumiu a tarefa de estruturar o então PSL em Santa Catarina, atendendo a uma solicitação de Jair Bolsonaro. O trabalho ajudou a construir uma das maiores ondas eleitorais já registradas no Estado.
Naquela eleição, Bolsonaro conquistou 75,92% dos votos válidos dos catarinenses no segundo turno, com quase três milhões de votos.
A força do partido não ficou limitada à disputa presidencial. O PSL elegeu Carlos Moisés para o governo, seis deputados estaduais e quatro deputados federais.
Por trás daquela engrenagem havia organização política. Havia construção partidária, busca por candidatos, formação de nominatas, montagem de diretórios e articulação regional. E havia, sobretudo, a atuação de Lucas Esmeraldino.
Ele próprio quase chegou ao Senado. Recebeu 1.161.662 votos e terminou a disputa apenas 18.095 votos atrás de Jorginho Mello, eleito para a segunda vaga catarinense.
A ingratidão do governo Moisés
Depois da eleição, Esmeraldino foi incorporado ao governo Carlos Moisés, inicialmente como secretário de Desenvolvimento Econômico Sustentável e Turismo. Posteriormente, também ocupou a Secretaria de Articulação Nacional, em Brasília.
O problema é que Moisés, depois de instalado no poder, não soube reconhecer adequadamente quem havia ajudado a construir as condições políticas para sua chegada ao governo.
O governador eleito na onda bolsonarista rapidamente se afastou de parte expressiva das lideranças responsáveis pela organização do PSL. Esmeraldino, que havia sido um dos principais — talvez o principal — articuladores daquela vitória, acabou politicamente ignorado.
Foi um erro de leitura e, principalmente, de gratidão.
Governos passam, mas a memória política permanece. Carlos Moisés chegou ao Palácio da Agronômica impulsionado por uma estrutura partidária que não construiu sozinho. Lucas Esmeraldino teve participação decisiva naquele processo e jamais recebeu o reconhecimento proporcional ao trabalho que realizou.
Uma nova missão
Após deixar o PSL, Esmeraldino passou pelo Republicanos. A posterior chegada de Carlos Moisés ao mesmo partido tornou a permanência politicamente desconfortável, levando-o a buscar um novo caminho.
Esse caminho agora é o Avante.
A direção partidária procurou Esmeraldino para que assumisse uma candidatura a deputado estadual e ajudasse a dar consistência eleitoral à nominata. A candidatura foi definida no início de setembro.
Esmeraldino já começou a trabalhar na montagem de executivas provisórias e na organização municipal do partido. O desafio é grande: em poucas semanas, será necessário consolidar uma chapa capaz de atingir o quociente eleitoral e disputar efetivamente uma cadeira na Assembleia.
É justamente nesse tipo de missão que ele costuma apresentar seus melhores resultados.
Lucas não é apenas um candidato buscando votos para si. É um construtor de chapas. Conhece lideranças municipais, entende a lógica eleitoral catarinense e sabe que nenhuma nominata sobrevive apenas de discursos ou de nomes lançados de última hora.
É preciso organização, estratégia e capacidade de somar votos.


