Santa Catarina ultrapassou São Paulo pela primeira vez em 15 edições do Ranking de Competitividade dos Estados. Por trás do resultado, há também um trabalho pouco visível de agências de promoção de investimentos: auditar a própria métrica que as avalia.
O Estadão publicou nesta quinta-feira (27/08) uma manchete histórica: “Pela 1ª vez, SC ultrapassa SP e se torna o Estado mais competitivo”. O levantamento, do Centro de Liderança Pública (CLP), cruza cem indicadores em dez pilares — infraestrutura, segurança, educação, solidez fiscal, capital humano, potencial de mercado, entre outros. São Paulo liderava havia 14 anos seguidos.
É manchete de resultado. Mas também existe um trabalho de bastidor que organismos como BID, UNCTAD, GIZ, OCDE e WAIPA/Banco Mundial consideram essencial ao trabalho de qualquer agência de promoção de investimentos: monitorar tecnicamente os rankings que orientam investidores — e não apenas torcer por eles. Para essas instituições, monitoramento e avaliação (M&E, no jargão do setor) é função tão estratégica quanto prospecção de projetos.
Méritos reais por trás do salto
A virada catarinense não se apoia em um único fator. O Estado manteve a liderança em segurança pública, sustentabilidade social, potencial de mercado e capital humano — e avançou da 10ª para a 3ª colocação em eficiência da máquina pública, um dos ganhos mais expressivos da edição. Para Renato Eliseu Costa, professor da Esalq/USP ouvido pelo Estadão, a diferença de Santa Catarina para São Paulo está na consistência: “São Paulo continua tendo picos de excelência, mas Santa Catarina apresenta uma competitividade mais sistêmica e com menos gargalos.”
O monitoramento que também contribuiu
Foi a Secretaria de Estado da Fazenda (SEF) — responsável pela política de atração de investimentos de Santa Catarina — quem determinou à InvestSC o acompanhamento sistemático do ranking do CLP de 2024. Nesse monitoramento, a equipe técnica da InvestSC identificou inconsistências no indicador do pilar capital humano.
A correção, tratada junto ao CLP, levou Santa Catarina da última colocação entre os 27 Estados nesse indicador, na edição de 2023, à primeira posição no mesmo pilar já em 2024 — um ganho que se soma aos avanços orgânicos do Estado em frentes como a eficiência da máquina pública. Desde então, o monitoramento do ranking segue sendo feito em conjunto entre InvestSC e SEF.
Quem coordena, quem executa
A SEF segue como a instância que define a política de atração de investimentos do Estado. A InvestSC é o braço técnico dessa política — e monitorar rankings de competitividade está no centro da sua missão como ferramenta de atração e promoção de investimentos, sempre sob a coordenação da SEF.
O salto de 2026 é atribuído pelo próprio Estadão a avanços consistentes em segurança pública, potencial de mercado, eficiência da máquina pública e capital humano — este último, a frente em que o monitoramento da InvestSC teve atuação direta.
Fontes: O Estado de S. Paulo (27/08/2026, Breno Damascena) · Centro de Liderança Pública — Ranking de Competitividade dos Estados · BID · UNCTAD · GIZ (IPA Toolbox) · OCDE (FDI Qualities / PFI) · WAIPA / Grupo Banco Mundial · SEF-SC e InvestSC.







