Blog do Prisco
Coluna do dia

PL avança sobre a Alesc e já movimenta o tabuleiro de 2030

A sucessão de Júlio Garcia na presidência da Assembleia Legislativa caminha para uma definição antecipada. Camilo Martins desponta como favorito, sustentado pela unidade dos 16 deputados estaduais eleitos pelo PL.

A nova legislatura começa em 1º de fevereiro, com 14 mudanças entre os 40 integrantes. Mas a disputa pelo comando já está a pleno vapor.

Jorginho Mello não está esperando o calendário andar. Está construindo as condições para governar com ainda mais musculatura.

O peso da bancada

O PL elegeu 40% da Assembleia. É uma força que não pode ser tratada como detalhe na distribuição dos espaços.

Depois da votação esmagadora de Jorginho e do crescimento das bancadas, seria politicamente estranho que os liberais permanecessem na posição de coadjuvantes na escolha do presidente.

O partido tem tamanho, votos e um governador fortalecido. Agora procura transformar esse patrimônio em controle institucional.

Camilo na dianteira

Camilo chegará ao segundo mandato com a perspectiva de presidir o Parlamento. Uma ascensão expressiva numa Casa em que a experiência acumulada em várias legislaturas costuma pesar nas negociações.

A articulação mostra que antiguidade, sozinha, não assegura preferência.

O deputado reuniu condições para se colocar à frente da disputa. E a unidade da bancada oferece uma vantagem importante antes mesmo da negociação com os demais partidos.

O espaço de Ana

A composição em discussão prevê Camilo no primeiro ano e meio e Ana Campagnolo nos seis meses finais do primeiro biênio, respondendo pela primeira vice-presidência até lá.

O calendário ainda depende dos ajustes políticos e dos procedimentos da Casa.

O movimento acomoda duas lideranças e evita que uma disputa interna desgaste a maior bancada antes do início da legislatura.

Krelling no cálculo

Fernando Krelling, do MDB, também alimentava pretensões ao comando da Assembleia. Continua sendo uma peça relevante na construção do entendimento.

Seu espaço poderá passar pela Mesa e pela discussão do segundo biênio. Não existe compromisso futuro que dispense nova negociação, mas o aceno ajuda a organizar o presente.

Jorginho procura acomodar aliados e reduzir resistências. É assim que uma vantagem eleitoral começa a se transformar em maioria política.

Mesa plural

A composição deverá alcançar outras bancadas, inclusive o PT, que elegeu cinco deputados.

Isso não enfraquece a identidade conservadora do governo. A Assembleia representa diferentes correntes, e sua direção exige negociação parlamentar.

O ponto central é outro: o PL pretende conduzir essa composição a partir da força que recebeu nas urnas. Dialogar não significa abrir mão do protagonismo.

Comissões na conta

A negociação não termina na presidência. Secretarias da Mesa e comissões cobiçadas também entram no entendimento.

É nesses espaços que projetos avançam, debates ganham direção e bancadas exercem influência.

Uma composição estável depende de distribuir responsabilidades e construir compromissos. A eleição do presidente é apenas a parte mais visível dessa engrenagem.

Jorginho fortalecido

Reeleito no primeiro turno, com os dois senadores e sete deputados federais do PL, Jorginho chega ao segundo mandato numa posição privilegiada.

Se confirmar um correligionário no comando da Alesc, ampliará suas condições de articulação.

Isso não elimina a independência do Legislativo. Mas estabelece um ambiente muito mais favorável à agenda do governador. A vitória de outubro continua produzindo consequências.

O alvo de 2028

A próxima batalha será municipal. O PL pretende ampliar sua presença nas prefeituras e alcançar os três dígitos.

É um projeto de ocupação territorial, aproximando prefeitos, vereadores e lideranças regionais de uma estrutura partidária que saiu maior da eleição.

O espaço que o MDB construiu durante décadas agora é disputado pelos liberais. Jorginho quer transformar força estadual em presença municipal duradoura.

2030 começou

Tudo isso desemboca na sucessão de 2030, quando Jorginho poderá disputar o Senado e influir diretamente na escolha de seu sucessor.

Com governo, bancada robusta e uma rede municipal em expansão, terá instrumentos importantes para conduzir essa construção.

A presidência da Alesc faz parte desse movimento. A eleição terminou, mas a reorganização do poder catarinense continua.

Jorginho venceu nas urnas. Agora trabalha para prolongar essa vitória no comando político do estado.