A movimentação do governador Jorginho Mello no tabuleiro político catarinense começa a produzir efeitos concretos, dentro do MDB, justamente onde o cenário parecia menos previsível: o Sul do estado. Em uma região estratégica, tanto pelo peso eleitoral quanto pela densidade político-partidária — com destaque para Criciúma e seu entorno —, a adesão de prefeitos do MDB sinaliza, a exemplo do que já ocorreu com mandatários do PP, um realinhamento das forças locais.
Prefeitos dos municípios de Turvo, Jacinto Machado e Treviso optaram por tornar público o apoio ao projeto de reeleição do atual governador, antecipando-se, inclusive, a um movimento mais orgânico que vinha sendo articulado dentro do próprio MDB. A formalização desse apoio (veja vídeo abaixo), com direito a manifestação conjunta e exposição nas redes sociais, não foi um gesto trivial — trata-se de uma sinalização política calculada, com destinatários claros tanto dentro quanto fora do partido.
O pano de fundo dessa decisão revela um dado recorrente na política municipalista catarinense: a primazia da governabilidade sobre a ortodoxia partidária. Como o próprio governador costuma dizer a interlocutores: “se partido fosse bom não era partido, era inteiro.”
Na prática, prefeitos operam sob a lógica da entrega — obras, convênios, repasses — e, nesse contexto, o Palácio d’Ágronômica acaba exercendo forte poder de atração. Ao garantir fluxo de investimentos e manter canais abertos com as administrações locais, Jorginho Mello consolida uma base pragmática que transcende a teia de interesses e narrativas partidárias.
Esse movimento também entra em sintonia com o comportamento recente de outras siglas, especialmente o PP, cuja maioria dos prefeitos já vem adotando postura semelhante, qual seja, respaldo ao governador. O efeito combinado dessas adesões cria um ambiente mais favorável a Jorginho no interior, ao mesmo tempo em que impõe dificuldades adicionais à construção de uma frente de oposição coesa.
Nesse contexto, o projeto liderado por João Rodrigues, do PSD, acaba recebendo mais pressão antecipada. A tentativa de agregar MDB, PP e União Brasil em torno de uma candidatura competitiva ao governo vem encontrando, e não é de hoje, um obstáculo concreto: a dissidência silenciosa — e, em alguns casos, já explícita — das bases municipais. Antes mesmo que lideranças emedebistas consigam estruturar um movimento de convergência, o avanço de Jorginho junto aos prefeitos atua como força desagregadora.
No Sul, onde o PSD mantém quadros robustos e influência consolidada, especialmente a partir de Criciúma e da Amrec, o gesto desses prefeitos do MDB também tem um efeito simbólico importante. Ele indica que a disputa de 2026 não será definida apenas nos acordos de cúpula, mas, sobretudo, na capacidade de capilaridade e articulação direta com os municípios. Trocando em miúdos, o governador, ao seu estilo, está apostando nos CPF’s e não nos CNPJ’s.
Em síntese, mais do que um apoio pontual, o que se observa é a consolidação de uma estratégia: Jorginho Mello avança sobre as bases adversárias, esvazia potenciais alianças oposicionistas e reforça sua posição a partir de um ativo decisivo em Santa Catarina — o municipalismo pragmático.
O vídeo está na página do Instagram do Jornal Imigrantes








