O governo do Estado discute junto a outros poderes a criação de um Fundo Estadual de Garantia de Crédito que pode injetar até R$ 1 bilhão na economia catarinense. O objetivo é ampliar o acesso a recursos para micro e pequenas empresas, as que mais sofreram durante a pandemia.

Ainda está sendo discutido um modelo jurídico para o Fundo, mas o novo secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico Sustentável, Rogério Siqueira, disse que as medidas de apoio à economia precisam ser rápidas. O projeto está em fase inicial.

Em entrevista à Rede Catarinense de Notícias, o empresário de 59 anos detalha o projeto e diz que Santa Catarina será um dos primeiros estados a sair da crise. Além disso, afirmou que recebeu do governador “a orientação de criar políticas de estado e gerar uma espiral de prosperidade e esperança”.

Rede Catarinense de Notícias – Com a pandemia, a economia teve uma forte estagnação. Que tipo de ação ou programa deve ser prioridade pelo poder público para incentivar a retomada?

Rogério Siqueira – O mais importante é que seja rápido. Os catarinenses não podem esperar, precisamos unir pontas e agir por meio de ações soluções de curtíssimo prazo. Completo a primeira semana na gestão pública e tenho 30 anos de iniciativa privada. Recebemos do governador a orientação de criar políticas de estado e gerar uma espiral de prosperidade e esperança. Na semana passada participamos de uma reunião junto à Fiesc sobre o Programa Travessia, uma iniciativa da Federação das Indústrias que conta com o apoio do governo e tem entre as estratégias aproveitar as oportunidades para fortalecer a indústria local, ampliar investimentos em infraestrutura e tecnologia. Outra frente, que tem o apoio de todos os poderes – Executivo, Legislativo, Judiciário, do Ministério Público e Tribunal de Contas (TCE) – é a proposta de criação do Fundo Estadual de Garantia de Crédito. Trata-se de um instrumento para estimular a concessão de crédito de forma facilitada para micro, pequenos e médios empreendedores em Santa Catarina, por conta da pandemia. A ideia é de injetar até R$ 1 bilhão na economia do Estado. O projeto será discutido com o Badesc e estamos na fase de desenhar o modelo jurídico do Fundo. O objetivo destas frentes é unir esforços para a recuperação econômica de Santa Catarina.

RCN – Essas medidas serão suficientes para recuperar emprego e renda a médio prazo? O que deve ser feito para reduzir o impacto do desemprego?

Siqueira – Essas medidas num primeiro momento são para a manutenção dos empregos, para que os empresários tenham fôlego e não precisem fazer demissões em massa. O crédito oferecido é para trabalhar com o fluxo de caixa das empresas, principalmente as MPEs. Para facilitar o acesso, o governo tem como prioridade a implementação do Fundo Estadual de Garantia de Crédito e já está desenhando a estruturação. Estamos trabalhando no modelo jurídico e pretendemos ter notícias em breve sobre o assunto.

RCN – Como é possível facilitar o acesso a recursos num momento turbulento como esse?

Siqueira – A garantia do crédito é uma das importantes e mais urgentes estratégias para a retomada econômica. O governo já vem estudando, desde o início da pandemia, a proposta do Fundo Garantidor de Crédito. Esta ação vai buscar estimular a concessão de crédito de forma facilitada para micro, pequenos e médios empresários do nosso Estado, neste tempo de pandemia. A ideia é de injetar dinheiro de forma direta na economia, com previsão de até R$ 1 bilhão, o que vai contribuir para uma recuperação ainda mais rápida de Santa Catarina. Sairemos mais fortes deste momento.

RCN – O governo federal tem tomado ações para dirimir o impacto econômico, como o Pronampe e o auxílio emergencial. Qual é a sua opinião sobre os programas federais? Eles terão eficiência na prática em Santa Catarina? 

Siqueira – Acho que toda ajuda neste momento desafiador é bem-vinda. Além dos programas federais, estaduais e municipais, temos um povo trabalhador e que se supera a cada desafio que lhe é imposto. Santa Catarina foi um dos primeiros estados a tomar medidas de prevenção contra a Covid e tenho certeza que seremos um dos primeiros a sair da crise. Temos aqui na SDE programas importantes e que serão fundamentais na retomada, como o Prodec que já existe há três décadas e nos últimos 16 meses já fomentou R$ 4,45 bilhões de investimentos e gerou quase 6 mil empregos. O programa passará por uma atualização e será fundamental para fazer a roda da economia girar. Outra frente é o programa Juro Zero, coordenado pela SDE e que, desde 2011 quando foi implantado, emprestou mais de R$ 291 milhões, movimentando diretamente mais de R$ 330 milhões na economia catarinense.


O novo titular do Desenvolvimento Econômico, Rogério Siqueira. Foto: Clóvis Perozin

RCN – O governador Moisés fez algum pedido especial para a atuação da SDE?

Siqueira – O governador nos orientou a contribuir nessa retomada, unindo pontas e gerando uma atmosfera de prosperidade e esperança. Nosso maior desafio é a retomada econômica do Estado, em meio a uma pandemia mundial que afeta a todos, sem precedentes. É fato que o desafio é impactante e já deixa sua marca, mas Santa Catarina tem um povo batalhador, empreendedor e que historicamente se supera, a exemplo de outras adversidades que o Estado já enfrentou, tenho certeza, vai superar novamente.

RCN – Conhecendo Santa Catarina e os catarinenses, o que o senhor espera no cenário econômico para o segundo semestre?

Siqueira – Até maio, Santa Catarina teve um saldo maior de empresas constituídas em 2020 quando comparado ao mesmo período do ano passado. [Desde o início do ano, até 13 de maio, o estado conta com um saldo de 35.144 novas empresas, enquanto no mesmo período do ano passado foram 31.955 constituições]. Os dados mostram que o ambiente econômico do Estado, apesar de toda a insegurança gerada pela pandemia provocada pelo novo Coronavírus, ainda reflete o viés empreendedor do cidadão catarinense e mostra um estado ainda pujante e confiante em uma retomada do crescimento. Nossa missão é unir pontas, programas e ações que se completem e fortaleçam a economia, gerem emprego e renda aos catarinenses.”