A campanha de Lula entrou no modo desespero.
Não há outra leitura possível para o presidente da República e a primeira-dama, a poucos dias da eleição, gastarem precioso tempo de palanque para atacar Nikolas Ferreira. Lula chamou o deputado de “canalha”. Janja também partiu para cima. Quando dois dos principais personagens da campanha presidencial transformam um parlamentar adversário em assunto central, é porque o golpe doeu.
E doeu porque Lula cavou o próprio buraco.
Em Belém, ao falar sobre exames preventivos, soltou a desastrosa frase de que mulheres estão acostumadas a “tomar toque desde pequena”. Depois, alegou que falava de exames ginecológicos e acusou a oposição de distorção.
Pode explicar o contexto quantas vezes quiser. A frase foi dita.
O mais impressionante é a sequência. Lula parece incapaz de atravessar uma semana sem produzir uma nova crise com o próprio microfone. É tiro no pé atrás de tiro no pé, derrapada atrás de derrapada.
Em vez de admitir que foi infeliz, corrigir e seguir adiante, vem a velha fórmula: arrogância, ataque ao adversário e terceirização da culpa.
O eleitor, naturalmente, pode começar a se perguntar o que explica tamanha sucessão de declarações desconcertantes de um político que construiu boa parte de sua carreira justamente sobre a capacidade de comunicação.
E desta vez o estrago chega no pior momento possível.
As pesquisas mostram uma eleição embolada. Levantamentos recentes colocam Lula e Flávio Bolsonaro separados por diferenças mínimas, muitas delas dentro da margem de erro. Em uma compilação do Poder360, Flávio aparece numericamente à frente em 7 de 13 pesquisas recentes de eventual segundo turno, enquanto Lula lidera em 4 e 2 registram igualdade numérica.
É uma realidade muito diferente daquela de 2022, quando Lula chegou aos dias finais do primeiro turno com vantagem de dois dígitos sobre Jair Bolsonaro.
A aura do Lula imbatível na comunicação está rachando.
O velho discurso messiânico, que tanto empolgava as multidões, pelo visto pertence ao passado.
E quando uma campanha acuada começa a procurar culpados fora, enquanto o próprio candidato continua fabricando crises dentro, o problema já não está no adversário.
Está no casco.
E a água está subindo.







