Blog do Prisco
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Socorrooo! As drogas estão entrando na minha casa, na casa dos meus amigos e parentes! Socorrooo!

 

O grito de socorro esta vindo de milhares de lares brasileiros. Ele não vem apenas das famílias que já convivem com a dependência química, mas também daqueles que observam, apreensivos, a aproximação silenciosa das drogas na vida de seus filhos, netos, amigos e vizinhos.

Durante muito tempo, acreditou-se que o problema das drogas estava distante, restrito às grandes cidades, às periferias ou a determinados grupos sociais. A realidade mostrou o contrário.

Hoje, as drogas atravessam fronteiras econômicas, culturais e geográficas. Estão presentes em bairros nobres e humildes, em escolas públicas e privadas, nas universidades, nos ambientes de trabalho e até mesmo dentro de casa.

O drama começa, muitas vezes, de forma aparentemente inofensiva. Uma experiência por curiosidade, a influência de amigos, a busca por aceitação social ou a tentativa de fugir de problemas emocionais. Quando a família percebe, o consumo já está instalado e a dependência pode estar em desenvolvimento.

O sofrimento não atinge apenas o usuário. Pais perdem o sono, mães choram em silêncio, irmãos sentem medo, avós carregam a angústia de ver um ente querido destruindo sua saúde, seus sonhos e seus relacionamentos.

A dependência química se transforma em uma tragédia coletiva que afeta toda a família.

Diante desse cenário, não basta apenas reprimir o tráfico. É indispensável investir fortemente em prevenção, educação, fortalecimento dos vínculos familiares e apoio às pessoas em situação de vulnerabilidade.

Escolas, igrejas, clubes de serviço, comunidades terapêuticas, profissionais de saúde e órgãos públicos precisam atuar de forma integrada.

Também é fundamental que as famílias conversem mais com seus filhos, acompanhem suas amizades, estejam presentes em suas vidas e observem sinais de mudanças comportamentais.

O diálogo continua sendo uma das ferramentas mais eficazes na prevenção.

O grito de “Socorroooo !” não pode ser ignorado pelas autoridades nem pela sociedade.

As drogas representam um dos maiores desafios de saúde pública e segurança social da atualidade.

Quanto mais demorarmos para agir, mais famílias serão atingidas.

Ainda há esperança. Com união, prevenção, tratamento adequado e compromisso coletivo, é possível salvar vidas e proteger nossas famílias.

O momento de agir é agora, antes que esse grito de socorro se transforme em silêncio, sofrimento e perdas irreparáveis.

Fernando Henrique da Silveira

•⁠ ⁠Presidente do Conselho Estadual de Entorpecentes de Santa Catarina – CONEN;
•⁠ ⁠⁠Advogado, jornalista e funcionário público estadual;
•⁠ ⁠⁠Doutor em Ciências Jurídicas e Sociais;
•⁠ ⁠⁠Membro Consultivo da Comissão de Políticas sobre Drogas da OAB/SC.