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Acordo entre Moreira e Berger pode afundar MDB

Consta que o governador Eduardo Pinho Moreira e o senador Dário Berger fecharam um acordo, que inclui a presidência do MDB em 2019 e a candidatura ao governo do Estado pelo partido em 2022.
Moreira terá o apoio de Dário para voltar ao comando da seção Barriga-Verde do Manda Brasa. Como contrapartida, o atual chefe do Executivo comprometeu-se a não se candidatar ao governo daqui a quatro anos. É que Dário Berger tinha manifestado interesse em disputar a presidência da sigla.
Dário Berger, Eduardo Moreira e o falecido Luiz Henrique da Silveira – foto> arquivo, divulgação  
Tal arranjo merece uma série de considerações. É de quase tirar o fôlego! Voltemos ao ano de 2002. De lá para cá, Pinho Moreira disputou três das quatro eleições. Todas como candidato a vice. Jamais encabeçou uma chapa na disputa pelo Centro Administrativo.
Nas três campanhas, o emedebista foi eleito na carona. Em 2002, o líder era Luiz Henrique da Silveira. Em 2010 e 2014, Moreira foi coadjuvante de Raimundo Colombo. Assim, acabou cumprindo um mandato-tampão em 2006, como moeda de troca por ficar de fora da chapa. Exatamente como ocorre agora. Um dos compromissos do MDB ao renovar os votos de matrimônio com Colombo em 2014 foi justamente a volta de Eduardo Moreira ao governo.
O governador de Santa Catarina foi presidente do MDB por 10 anos. Foi ungido na sucessão de Casildo Maldaner. O resultado deste reinado, que foi repassado a Mauro Mariani em 2016, está aí. Desde 1982, quando foram restabelecidas as eleições diretas para governador, que o MDB não ficava fora do segundo turno do pleito estadual. Aconteceu agora em 2018.
Evidentemente que o problema não foi o nome escolhido para a disputa ao governo. Mauro Mariani era o melhor nome à disposição do MDB. Experiente, com várias eleições vitoriosas e ficha limpa. No contexto em que o partido chegou à campanha, quem quer que fosse o nome emedebista seria derrotado.
A maior parte do resultado muito ruim nas urnas pode ser debitado na conta de Moreira. Em 16 anos, repetindo, ele foi três vezes vice-governador e pilotou o diretório estadual do MDB por uma década neste período!
O desastre só não foi maior porque nove emedebistas foram eleitos à Alesc. Aí tudo bem. Foi um bom resultado. E só. Para federal, o MDB-SC caiu de cinco para apenas dois deputados. E não elegeu senador. Jorginho Mello, embora aliado de Mariani na chapa majoritária, preside o PR. Chegou lá com uma parcela de votos do MDB, que perde muito espaço.
Dito tudo isso, cabe perguntar: com o partido encolhendo, virando coadjuvante na eleição majoritária depois de um longo período de protagonismo de Eduardo Moreira, quer dizer que ele quer voltar no ano que vem e novamente pilotar o Manda Brasa?
Em 2019, depois das eleições que tiveram a marca histórica da mudança, da renovação? Moreira e Berger devem estar de brincadeira!
No PSDB, por exemplo, o nome mais forte para comandar os destinos da legenda é o do jovem Napoleão Bernardes, ex-prefeito de Blumenau e que disputou a eleição como vice de Mauro Mariani. Só para dar um exemplo.
O cenário favorece a candidatura já posta do deputado estadual, Carlos Chiodini, eleito federal. Dono de quase 100 mil votos, jovem e dinâmico, ele representa a renovação.
O cenário torna-se ainda mais hilariante se dermos uma olhada na agenda que Eduardo Moreira projeta para o começo de 2019. Ele vai passar um mês na África do Sul. De férias. Nos primeiros quinze dias de fevereiro, o já ex-governador ficará na Capital do Estado. Muito provavelmente para passar o Carnaval na Ilha, um dos mais badalados do país.
Na segunda quinzena de fevereiro, Eduardo Moreira embarca para a Inglaterra. Na terra da Rainha, ele fará um curso. E por lá ficará até final de março. Ou seja, Moreira ficará praticamente três meses fora de combate. Só volta em abril às atividades em Santa Catarina. E pra fazer campanha interna, visando voltar à presidência do MDB, cuja convenção estadual foi adiada de 7 de dezembro para maio do ano que vem.
Durma, emedebista, com um barulho desse!

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