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Coluna do dia

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A justificativa de Eduardo Moreira

Diretamente de Nova Iorque, onde se encontra há quase duas semanas para fazer um curso de inglês, o vice-governador Eduardo Pinho Moreira foi para imprensa local, via telefone, chorar as mágoas deste início de segundo governo.

Declarou que não manda nada, que ninguém o respeita, deixando claro que seria uma espécie de rainha da Inglaterra, desprovido de qualquer poder. Nem o líder da oposição faria melhor. Uma situação absolutamente sui generis, chegando a ser patética. Moreira é de Laguna, mas faz política em Criciúma, onde já foi prefeito no começo dos anos 1990. Até hoje, ele mantém-se como o político mais influente da cidade o que, aliás, é mérito dele. E resolveu torpedear o governo do qual ele e seu partido, o PMDB, fazem parte, depois da morte de uma jovem e influente médica criciumense.

O brutal assassinato gerou forte comoção na cidade, que registra índices crescentes de violência. Evidentemente que a sociedade local partiu para cima de seu representante maior, até porque Segurança Pública é assunto de Estado.

Acuado e muito distante (a glamourosa Big Apple fica a 8.150 quilômetros da maior cidade do Sul catarinense), parece muito claro que o vice resolveu atacar como forma de se justificar, tirando o corpo fora; e transferir a responsabilidade para o governador.

Outro ponto a ser considerado é o futuro político dos caciques do próprio PMDB e da aliança peemedebista com o PSD no contexto estadual. Como Luiz Henrique da Silveira vem se movimentando e sendo cobrado para disputar o pleito de 2018, pois seria a única figura capaz de unir o PMDB, manter o PSD aliado e trazer de volta o PSDB, isso pode estar incomodando Pinho Moreira. A capacidade de aglutinação do senador acaba inibindo perspectivas de futuro para outras figuras de relevo nas hostes do velho Manda Brasa.

 

Protagonismo

Atualmente, LHS é o grande interlocutor de Raimundo Colombo junto ao PMDB, partido que é governo e detém a maior parte dos cargos na apetitosa máquina estadual.  Ou seja, a postura do vice é algo surreal, completamente sem pé nem cabeça. Na outra ponta, as palavras de Eduardo Moreira podem congelar as relações, que já estavam extremamente ácidas, entre governador e vice.

 

13 anos de poder

Importante frisar, ainda, que o partido e o próprio Eduardo Pinho Moreira estão no governo há 13 anos, sendo que metade deste período o PMDB era governador, estava na cabeça.  Moreira já foi vice-governador em outras duas oportunidades, foi governador por 10 meses, além de indicar e ocupar ele mesmo funções estratégicas na hierarquia governamental.

 

 

Fora do tom

As declarações de Pinho Moreira geraram um constrangimento geral no governo estadual neste início de segundo mandato. Seu posicionamento oposicionista poderia gerar uma crise política, mas isso não vai acontecer. O governador Raimundo Colombo vai ignorar olimpicamente, não vai vestir a carapuça de Judas.

 

Motivação

A pergunta que se faz nos corredores do poder a esta altura é o que teria acontecido para o vice-governador dar declarações tão fortes e fora de propósito? Absolutamente nada. O que só reforça a sensação de que ele procurou desesperadamente um bode expiatório a partir das luzes da capital financeira do mundo.

 

Pregando no deserto

Como o governador evitará o confronto com seu vice, as palavras de Moreira têm tudo para se assemelhar àquele pregador que transmite sua mensagem no deserto.

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