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Derrota acachapante

A decisão unânime do TRF-4, confirmando a condenação de primeira instância e elevando a pena para doze anos e um mês de prisão, enfraquece sobremaneira Lula da Silva. E o seu partido, que depende dele há 40 anos!

O sinal mais evidente dessa anemia que vai se instalando é a pulverização de pré-candidaturas presidenciais da chamada esquerda brasileira.

Pelo PDT, o nome colocado é o do ex-governador do Ceará e ex-ministro de Lula, Ciro Gomes. Tradicional braço petista, o PCdoB já apresentou a jovem deputada federal gaúcha Manuela D’Ávila. Também ex-ministra do petista, Marina Silva formou a Rede Sustentabilidade e ensaia ir novamente para a disputa. Por fim, o senador Cristovam Buarque é o nome do PPS, partido que sucedeu o PCB. A tendência natural desse grupo seria orbitar a nova candidatura lulista a Presidente. Isso em condições normais de temperatura e pressão.

Com o projeto de poder fazendo água em função da Lei da Ficha Limpa, que impede que condenados por um colegiado sejam candidatos, os partidos estão se mobilizando e articulando nomes, sob pena de ficar a ver navios. Sim, sim, há recursos e mais recursos por vir, mas mesmo que o ex-presidente se candidate, a chance dele obter o registro é mínima. Sem falar no desgaste que o seguirá durante todo o 2018. Se considerarmos que o ex-metalúrgico é protagonista nas eleições desde 1989, a deste ano pode ser inédita. Sem a presença dele nas urnas.

Os protagonistas

O TRF-4 encheu os brasileiros de bem de orgulho na quarta-feira. Merecem registro pela conduta, firmeza, correção e clareza os desembargadores João Pedro Gebran, paranaense que foi o relator do recurso de Lula à segunda instância. Manifestou-se de forma técnica, equilibrada, nada de arroubos ou bravatas políticas. Seu voto foi muito bem fundamentado.

Leandro Paulsen, o revisor do processo, é gaúcho e foi severo em sua análise, dando especial atenção às nomeações de diretores da Petrobrás e o conluio todo para beneficiar políticos com propinas a partir de contratos com a petrolífera nacional.

Protagonista local

Por fim, o terceiro protagonista do julgamento do recurso de Lula da Silva. O catarinense Victor Laus, natural de Joaçaba, atuando há 15 no Tribunal. Foi preciso, cirúrgico, tranquilo, sereno e efetivamente proporcionou ao país um voto de muita qualidade. No conjunto da obra, ficou mais do que evidente que o ex-presidente estava até o gogó envolvido no esquemaço que tomou a Petrobrás e o Brasil de assalto.

Os personagens

Em se tratando de política do Sul do Mundo, ironia pouca é bobagem. A Lei da Ficha limpa, agora taxada de uma legislação golpista pelos lulofanáticos, foi sancionada em 2010 pelo próprio Lula da Silva. Ele e alguns dos principais líderes do partido posavam ali de os grandes arautos da moralidade e do combate à corrupção.

Os personagens 2

Até virar lei pelas mãos de Lula, a Ficha Limpa, que nasceu de inciativa popular, teve outros grãos-petistas como personagens. José Eduardo Cardoso, deputado federal naqueles dias e ex-ministro de Dilma Rousseff, foi o relator do projeto de lei na Câmara. No Senado, Aloizio Mercadante, ex-ministro da Casa Civil e da Educação, liderou a mobilização em favor da nova legislação. Ele era o líder do governo na Câmara Alta. Pra fechar a ironia suprema, o presidente da Câmara dos Deputados era Michel Temer, outro que pode se encrencar seriamente com a Ficha Limpa a partir do ano que vem!

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