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Manchete

O isolamento de Bolsonaro

Em pronunciamento no rádio e na TV ontem à noite, o presidente mudou o tom, foi mais equilibrado e adotou uma postura adequada ao cargo que ocupa. Talvez tenha percebido os equívocos que vinha comentendo.

Bolsonaro isolado

Procurador-Geral da República, Augusto Aras, já mandou ao arquivo aquela queixa-crime contra Jair Bolsonaro, acusado por um deputado petista de crime de responsabilidade. Aquela mesma que o ministro do STF, Marco Aurélio Mello, mandou para a PGR. O magistrado, primo de Fernando Collor e nomeado por ele à corte, continua o mesmo exibicionista de sempre, querendo aparecer. O problema do presidente é comportamental e não configura crime, registre-se.

Agora é um comportamento inadequado que isolou o chefe da nação. Não só em relação ao Congresso e ao próprio STF, mas dentro do próprio governo e com os ministros nomeados por ele mesmo.

Articulação conjunta nos últimos dias deixou claro ao presidente que se ele levasse à frente essa ideia maluca de um decreto para restabelecer a normalidade, a medida seria imediatamente derrubada pelo STF. E ignorada pela esmagadora maioria de prefeitos e governadores país afora.

 

Sem influência

Jair Bolsonaro chegou ao ponto tal que qualquer iniciativa sua pode esbarrar no Congresso Nacional. Pare completar, ele encontra apoio de no máximo alguns ministros militares, mas não de toda a turma de farda.

 

Trinca

Neste contexto, observa-se que Sérgio Moro e Paulo Guedes, a dupla de ouro do governo, está fechada com Luiz Henrique Mandetta, formando agora uma trinca, mais ou menos como os três mosqueteiros (que na verdade, eram quatro).

 

Conjuntura

Até por isso, Bolsonaro não tem coragem de demitir o titular da Saúde. Porque se botar ele pra rua, todo o ministério vai junto. Seria insano. Montar um novo ministério bem no meio de uma crise dessa proporção?

 

Ciumeira

Outro aspecto. O presidente demonstra estar enciumado em relação à visibilidade e ao desempenho de Mandetta. Daí inventou-se aquela rodada diária de reunião interministerial on line. Todos os dias. Era pra tirar o ministro da ribalta. Só que não deu certo. Todos os ministros comparecem, mas ao final, os holofotes ficam no titular da Saúde. Por motivos mais do que óbvios.

 

Provocação

Jair Bolsonaro também ficou incomodado depois de ter ido para a rua, no domingo, com objetivo de provocar Luiz Henrirque Mandetta. O ministro não mordeu a isca. Também porque o próprio presidente da República ouviu, de populares naquele dia, várias manifestações favoráveis à condução da crise por parte de Mandetta. Que, definitivamente, caiu nas graças do brasileiro. Enquanto isso, Bolsonaro passou a ser motivo de chacota, com várias e importantes publicações fazendo pouco caso de sua descompostura mundo fora.

 

Que situação

Ou seja, Bolsonaro encontra-se em total desatino. Conseguiu ficar isolado dentro do próprio governo e dos ministros convidados e nomeados por ele mesmo. A situação é de total descalabro.

 

Sintonia

Agora, o fundamental mesmo diante do quadro geral é o entrosamento entre o Ministério da Saúde e as secretarias estaduais da área, e destas com as pastas municipais. Não só no sentido de compartilhar informações fidedignas e definir estratégias, como também para fazer as compras necessárias ao combate contra a pandemia, como respiradores e ventiladores, por exemplo. O ideal seria fazer uma compra única, pensando em conquistar preços melhores. Por incrível que pareça, ainda tem empresário desonesto querendo lucrar o máximo em cima da desgraça de milhões.

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