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O verdadeiro golpe

Desde que Lula da Silva nomeou o ainda presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowsky para a corte, o magistrado conviveu com a desconfiança de, digamos, ser simpatizante do ex-presidente e do partido que ele fundou, o PT.

Durante sete dias de estrelato no leme da sessão histórica que culminou no afastamento definitivo de Dilma Rousseff da presidência, o magistrado, pela condução serena, equilibrada e baseada na legislação, conseguiu diluir esta imagem de que seria tendencioso. Até o ato final, aquele que fatiou o julgamento, com a Constituição sendo rasgada sob as bênçãos do chefe da corte suprema. O Artigo 52 da Carta Magna é cristalino: foi cassado, perde os direitos políticos por oito anos. Ponto.

Ao invocar o regimento interno do Senado, Lewandowsky, Renan e a tropa de choque do PT, incluindo PCdoB e PSB, aqueles mesmos que estão há nove meses falando em golpe, colocou a carroça na frente dos bois. Onze em cada 10 juristas, advogados, leigos ou analfabetos sabem que o regramento legal do funcionamento de uma Casa Legislativa jamais pode se sobrepor à legislação máxima de um país. Nem na China. Mas, no Brasil, o devido e legítimo processo legal virou, agora sim, um golpe na nação!

Farra

O golpe é tão duro que já se fareja um grande acordão para livrar a cara dos corruptos, principalmente daqueles enrolados até o pescoço – e não são poucos e dos mais variados partidos – na Operação Lava Jato. Uma pizza jamais vista antes na história deste país está prontinha para ser servida, mesmo depois de todo o esforço dos investigadores, da mídia e do engajamento social. Chega a ser nojento!

Cartas marcadas

Impressionou a firmeza de Lewandowsky para refutar os argumentos contrários à tese que sacramentou o golpe na nação depois da cassação de Dilma. Nos bastidores, a informação é de que o jogo foi todo combinado. E o grande capitão da virada de mesa, o pizzaiolo-mor, claro, foi Renan Calheiros. E a grande beneficiada logo de cara, a ex-presidente que ainda insiste na cantilena do golpe parlamentar.

Papelão

Ricardo Lewandowsky ficou com a pecha de petista no caso do Mensalão. No dia em que a denúncia da Procuradoria da República transformou-se em processo penal, foi ele o magistrado que mais divergiu do voto do relator Joaquim Barbosa. Agiu assim em espantosas 12 oportunidades. Uma das mais notórias foi quando Lewandowsky discordou do acolhimento da denúncia contra José Dirceu e José Genoino por formação de quadrilha.

Acuado

Na sequência, o ministro foi flagrado ao telefone afirmando que se a imprensa não tivesse acuado o Supremo, ele teria aliviado a barra para o notório José Dirceu.

Turma do Temer

Dário Berger não virou a casaca na votação em separado que aliviou a barra de Dilma (que pode, por exemplo, agora assumir a Secretaria de Fazenda de Minas Gerais, governada pelo PT, mesmo tendo sido cassada por crimes fiscais gravíssimos). Ficou ao lado da turma do presidente Michel Temer e não com o grupo de Renan Calheiros.

Ele sabia?

O blog de Josias de Souza revelava ontem que pelo menos dois senadores do PMDB disseram que o presidente Temer sabia da manobra regimental que jogou no lixo a Constituição. 

 

 

 

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